quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mauricio odeia o fim de ano.




Quando era criança, Mauricio esperava ansiosamente pelas festas de confraternização de fim de ano, do emprego do pai. Era lá, nessas festas, que ele encontrava Débora, a sobrinha do patrão. Débora tinha os cabelos cor de ouro e os olhos azuis como safiras, e Mauricio brincava com ela o dia todo, eram tardes felizes. Faziam três anos que ele estava apaixonado por ela, mas como todo menino de dez anos (não os de hoje em dia, que são mais sagazes que muito marmanjo) não sabia se declarar. Foi então no verão de 1999, quando ele tinha exatos onze anos e já se considerava um homem feito que tomou coragem para demonstrar todo seu amor pela menina dos cabelos dourados. No churrasco na chácara da empresa, viu Débora em seu maiôzinho azul, com bóias nos braços prestes a pular na piscina. Caminhou firme, respirou fundo e foi ao encontro dela. Na piscina, ele pulou sem bóia. Era homem, sabia o que fazer. Falou com Débora, disse que nunca havia visto olhos lindos como os dela e que queria ser seu namorado. Ela sorriu, deu um beijo no rosto dele e disse que já namorava o Jorge, filho do gerente. Desde então, Mauricio odeia confraternizações de fim de ano.

Um comentário:

  1. Demais isso, me lembrou Chico Buarque! ;) Ele cantava muito bem essa fascinação infantil, que quando amor é mais pura e intensa que uma febre terçã.

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